segunda-feira, 22 de maio de 2017

Dez Anos

De onde mais eu tirei amor, que não do meu coração transbordando dia e noite com vontade de abraçar o mundo? Poderia essa vontade ser mais sutil, suficiente para não se tornar enigma para psiquiatras e psicoterapeutas? TCC, Gestalt, CID, TDAH, TB, Ansiedade, Depressão, que mais? O que faz um bom entendedor das peripécias da loucura não identificar minha condição? Por que da demora? Dez anos? Dez???

A boa notícia é que o diagnóstico parece finalmente estar chegando ao fim e isso implica na mudança. A divina e tão esperada mudança. A má notícia é que perdi pessoas que talvez não merecessem a peculiaridade de dividir um mundo de mudanças comigo. E está tudo bem. Muito bem, como nunca esteve antes. Por isso eu agradeço, porque nessa minha vida de liquidificador, toda mudança foi e sempre será bem-vinda. Dez anos investigando e pulando de lá pra cá, oportunidades que nunca chegaram tão perto de mim... O que é isso? Retorno de Saturno pedindo pra entrar? 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A Minha História da Loucura

E mais uma vez, depois da anestesia, eu volto. Prazer, lado meu que eu recuso enxergar. Lado esse que, já deu a hora de aprender, é possivelmente o mais letárgico em mim. O único, e agora é necessário prestar atenção: o único jeito de me afastar da loucura vai ser a verdade. A verdade grita, dói, a verdade é feroz. Hoje, creio eu, que o caminho oposto da verdade é a prisão, a prisão infinita, a loucura, a mente que não pára. A mente que perdura e insiste nas horas, nos minutos, nos segundos. Eu sou um conjunto delas. Eu sou, neste exato momento, um conjunto impiedoso do tempo. Contudo, o tempo é efêmero e isso me dá esperança, porque estou sendo refém de uma qualidade terminável, mesmo que por hora pareça não ter fim.

Eu sou este ser. E eu digo, eu tento, eu tento dizer: prazer, lado letárgico, eu te aceito com amor. Mas parece o fim. Parece a loucura. Aliás, parece não, é. E o que eu faço com ela? Eu assumo. Eu assumo no meu âmago. Eu aceito. Eu aceito ser este ser. E eu vou aprender a lidar com ele. Eu vou aprender a lidar comigo. Eu recuso a legião da loucura que persiste inexorável. O que é isso? O que sou eu? Existe o lado bom? O lado bom é a chave. Nele moram a verdade, a aceitação, a compaixão, o amor, o bem, a luz. Longe, digo eu, de ser a fuga ou o ato do hábito e do critério invertido. É exatamente o critério invertido que mata. Ele não mata, ele devora. Chega uma hora que ele faz isso e você, que quer ser feliz, vai ser obrigado a aceitar que ele existe e está dentro de você.

O medo pode ser letal. A questão é que muita gente não sabe disso. E essa é uma verdade muito aterrorizante para quem se sente arrebatado por incalculáveis segundos vividos dentro da tortura mental. Chegou a hora de abrir a porta do inferno. Já deu. Eu cansei. Não existe mais a possibilidade de me intoxicar com essa tendência. Por isso, eu a aceito e eu recuso fugir de novo. Também recuso ser refém de novo de qualquer inversão da realidade.

Que eu tome as rédeas certas, que eu tenha o cuidado e a compaixão. Que eu tenha mais amor comigo para assim, encontrar caminhos não na doença, mas no amor verdadeiro. É dessa forma que eu escolho viver.