domingo, 13 de agosto de 2017

Voltando

Se eu não couber na minha própria percepção de mim, como vou seguir?

É sobre caber dentro de si. O que nos resta nesse mundo a não ser a incansável tentativa de ficar bem? Eu digo, ficar bem significa caber na percepção que se tem de si sem esforços. 

terça-feira, 13 de junho de 2017

Afirmações

Nosso subconsciente é a parte mais profunda de nós que computa 40 milhões de bits de informações a cada segundo e depois de um processo de filtro no cérebro, apenas computamos de 5 a 9 bits por segundo. Esses 5 a 9 bits por segundo são a nossa percepção da realidade. É no subconsciente que residem nossas experiências passadas, como um computador que faz um registro a cada milissegundo. Quando você olha a superfície do mar, você só vê o que seus olhos podem perceber, enquanto que o mar pode ir em milhares de metros de profundidade. Você não consegue ver, mas ainda está lá e ainda é parte da realidade. Como a mente consciente (superfície) e a mente subconsciente (abaixo da superfície). A mente consciente é a parte analítica lógica de nós, enquanto a mente subconsciente é completamente ilógica.

Que tal começar a afirmar coisas interessantes para a parte ilógica agir nosso favor?



domingo, 11 de junho de 2017

Trecho

"Demorei demais para perceber que anos e relacionamentos perdidos não podem ser recuperados, que o mal que se faz a si mesmo e aos outros nem sempre pode ser corrigido e que libertar-se do controle imposto pela medicação perde seu significado quando as únicas alternativas são a morte e a insanidade."


Uma Mente Inquieta - Kay Redfield Jamison

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Recomeço

Eu vou me lapidando
Eu vou tirando o pó
E  caminhando só
Eu vou recomeçar

Um recomeço do avesso
Mas mesmo assim
Eu vejo um lindo fim
Eu já paguei o preço
E é por isso que mereço

Obs: Dias melhores virão

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Despertar

Para merecer o amor das pessoas eu tenho que fazer mais do que eu faço, me doar mais do que me dôo, dar pirueta, andar de monociclo? Segundo Carl Rogers, da psicologia humanista, o motivo do sofrimento do ser humano é a variável de se sentir indigno do amor das outras pessoas. A verdade é que eu nunca me considerei digna do amor das outras pessoas. A inteligência espiritual direciona essa questão e eu sou muito grata por isso. Para alguns, esse é o "caminho do meio", entre duas polaridades.

Na verdade a gente tem que se julgar digno e ter ciência das próprias limitações, as próprias dificuldades. Elas existem e precisam ser respeitadas. Não esperem de mim uma lista com uma fórmula mágica. A afirmação perigosa está em "você sabe do que eu preciso e eu não sei do que eu preciso ". Isso é dilacerante, é como se eu tirasse das minhas mãos todo o poder sobre a minha própria vida e entregasse nas mãos de outra pessoa. Pode parecer óbvio, mas não é.

Muito embora o ideal não seja a bipolaridade, há de existir um lado bom de estar nos extremos, além da criatividade. Quando a gente sai de um extremo e vai para o extremo oposto, em algum momento a gente passa pelo equilíbrio, ou seja, o tal "caminho do meio". O pêndulo sempre passa pelo meio quando vai de um pólo para o outro.

Geralmente, estamos muito preocupados em buscar o equilíbrio do lado de fora, um equilíbrio pressuposto pelo mundo, que nos ensinou a sempre se basear em estereótipos e rótulos de como devemos nos comportar - cuidado, porque eles só colocam a gente num lugar de escassez.

Cuidado é pouco quando se quer alcançar o equilíbrio fora. As pessoas e a sociedade acabam lucrando com o nosso condicionamento forçado de buscar o que se encontra dentro, no lado de fora e por vezes, isso pode ser bastante cruel e autodestrutivo.

O planeta Terra nunca está em equilíbrio. Ele está sempre girando, mas sempre pressupõe o tal equilíbrio e assim acontece conosco, já que estamos todos aqui vivendo essa experiência através dos nossos corpos.

Colocar nas mãos de outra pessoa a capacidade e a possibilidade de mudar a nossa vida é muito nocivo, mas não se pode desistir. O equilíbrio é possível. A cura é possível, desde alma à visão de vida, à expansão, ao amar o outro como a si mesmo. Amar a si mesmo requer um infinito despertar. Podemos chegar mais longe se estamos cada um remando na mesma direção. Mais importante do que ter as respostas é fazer as perguntas certas. "A gente aprende mais procurando pela resposta e nunca a encontrando do que a encontrando e parando por ali." - Lloyd Alexander.

Dedique mais tempo não em alcançar esse equilíbrio, mas em se permitir, se abrir para o equilíbrio. Talvez ele não esteja encaixado no molde de "ideal" que a sua mente criou. Despertar esses olhos para dentro, assim todo mundo rema junto.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Dez Anos

De onde mais eu tirei amor, que não do meu coração transbordando dia e noite com vontade de abraçar o mundo? Poderia essa vontade ser mais sutil, suficiente para não se tornar enigma para psiquiatras e psicoterapeutas? TCC, Gestalt, CID, TDAH, TB, Ansiedade, Depressão, que mais? O que faz um bom entendedor das peripécias da loucura não identificar minha condição? Por que da demora? Dez anos? Dez???

A boa notícia é que o diagnóstico parece finalmente estar chegando ao fim e isso implica na mudança. A divina e tão esperada mudança. A má notícia é que perdi pessoas que talvez não merecessem a peculiaridade de dividir um mundo de mudanças comigo. E está tudo bem. Muito bem, como nunca esteve antes. Por isso eu agradeço, porque nessa minha vida de liquidificador, toda mudança foi e sempre será bem-vinda. Dez anos investigando e pulando de lá pra cá, oportunidades que nunca chegaram tão perto de mim... O que é isso? Retorno de Saturno pedindo pra entrar? 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A Minha História da Loucura

E mais uma vez, depois da anestesia, eu volto. Prazer, lado meu que eu recuso enxergar. Lado esse que, já deu a hora de aprender, é possivelmente o mais letárgico em mim. O único, e agora é necessário prestar atenção: o único jeito de me afastar da loucura vai ser a verdade. A verdade grita, dói, a verdade é feroz. Hoje, creio eu, que o caminho oposto da verdade é a prisão, a prisão infinita, a loucura, a mente que não pára. A mente que perdura e insiste nas horas, nos minutos, nos segundos. Eu sou um conjunto delas. Eu sou, neste exato momento, um conjunto impiedoso do tempo. Contudo, o tempo é efêmero e isso me dá esperança, porque estou sendo refém de uma qualidade terminável, mesmo que por hora pareça não ter fim.

Eu sou este ser. E eu digo, eu tento, eu tento dizer: prazer, lado letárgico, eu te aceito com amor. Mas parece o fim. Parece a loucura. Aliás, parece não, é. E o que eu faço com ela? Eu assumo. Eu assumo no meu âmago. Eu aceito. Eu aceito ser este ser. E eu vou aprender a lidar com ele. Eu vou aprender a lidar comigo. Eu recuso a legião da loucura que persiste inexorável. O que é isso? O que sou eu? Existe o lado bom? O lado bom é a chave. Nele moram a verdade, a aceitação, a compaixão, o amor, o bem, a luz. Longe, digo eu, de ser a fuga ou o ato do hábito e do critério invertido. É exatamente o critério invertido que mata. Ele não mata, ele devora. Chega uma hora que ele faz isso e você, que quer ser feliz, vai ser obrigado a aceitar que ele existe e está dentro de você.

O medo pode ser letal. A questão é que muita gente não sabe disso. E essa é uma verdade muito aterrorizante para quem se sente arrebatado por incalculáveis segundos vividos dentro da tortura mental. Chegou a hora de abrir a porta do inferno. Já deu. Eu cansei. Não existe mais a possibilidade de me intoxicar com essa tendência. Por isso, eu a aceito e eu recuso fugir de novo. Também recuso ser refém de novo de qualquer inversão da realidade.

Que eu tome as rédeas certas, que eu tenha o cuidado e a compaixão. Que eu tenha mais amor comigo para assim, encontrar caminhos não na doença, mas no amor verdadeiro. É dessa forma que eu escolho viver.