quinta-feira, 30 de junho de 2011

Salve, salve, meus Deus, que o tempo a levou!


Perdida nas minhas fotos de criança, procurando por uma de rosto que estivesse boa o suficiente para colocar na capa do programa da apresentação de Musical da CAL,acabei encontrando um diário meu de 2003. É impressionante como não dá pra lutar contra a minha própria essência. Parei para ler por alto algumas páginas, porque era bem grande, e perdi o fôlego. Ainda sou a mesma! Por entre minhas revoltas internas e externas eu já buscava a luz no teatro, na música e nas poucas pessoas que eu amava. Já tinha achado o meu oxigênio no palco e nas letras...Em alguns momentos eu dialogava com o próprio diário que gostava muito de escrever porque só ele e as palavras me entendiam. Cheguei a dizer, com 12 anos, que a minha vontade de não viver mais e desconhecer o motivo da minha existência me levavam a permitir que eu não pensasse isso por causa do teatro e da música!
Daria tudo para conversar hoje com a menina Jessica que escreveu chorando algumas páginas tristes naquele diário...
"Não chora mais, menina! Sua hora está chegando!"

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Poeta de Cor


É tanto penar pro mundo e pra Deus
Sem fome ou dinheiro e rezas de amor
É fácil de ouvir um grito de paz
Abafado no pranto de um poeta de cor

Que grita com Deus pedindo caneta e papel
porque enfim esqueceu da vida no céu
Que a paz encontrou nas palavras que leu e deixou
Para trás um tal de feijão que alguém prometeu

De tanto descaso o poeta entendeu
que pro mundo nasceu pra deixar no papel
que amar é de Deus e de fome morreu

J. N.

(Poema escrito na aula de Sebastião Salgado, sobre esta mesma imagem)

terça-feira, 21 de junho de 2011

The New York Clown Theatre Festival


Laila, o nome dela...Pausa par o nome (...) e eu a escolheria para o festival! Sem dúvida alguma. Esse é um festival que, lógico, como uma New Yorker, não poderia deixar de mencionar depois de um dia como hoje.
Tendo que para o estudo de Clown no teatro é necessário que se entre em contato com o auto-conhecimento em profundidade e que para que se insira um personagem, vista-se uma máscara, é bem notável que ser Clown nos dias atuais não é novidade.
Depois de ver Betty Faria em cena notei alguns momentos de máscara e outros bem realísticos. Isso acabou por me deixar um tanto confusa. A atuação aqui no Brasil é sempre um enigma para mim, mas não no bom sentido, é uma demonstração pífia de sentimentos. A nível de Broadway, é essa a minha perspectiva.
Abrindo hoje mais cedo na primeira página, um dos melhores livros de atuação para os americanos, dei de cara com a seguinte frase " Always tell the truth. It's the easiest thing to remember." Qual é o problema com o acting technique aqui? Por que mistificou-se que atuar é fingir? Para mim, está mais para dizer a verdade do que para fingir.
É o estudo do Clown, é a Laila que se veste de palhaço. É tudo tão verdadeiro...

(reverberações da aula do Dani, depois de um longo transito ao som de Adele, aula no Tablado e, para encerrar, Shirley Valentine com Betty Faria no Teatro das Artes)

[post inacabado - estou caindo de sono]

quinta-feira, 16 de junho de 2011

AFF

O escritor precisa desse fantasma pra poder escrever, é ele que o guia

É Preciso Aprender a Amar

Que se passa para nós no domínio musical? Devemos em primeiro lugar aprender a ouvir um motivo, uma ária, de uma maneira geral, a percebê-lo, a distingui-lo, a limitá-lo e isolá-lo na sua vida própria; devemos em seguida fazer um esforço de boa vontade — para o suportar, mau-grado a sua novidade — para admitir o seu aspecto, a sua expressão fisionómica — e de caridade — para tolerar a sua estranheza; chega enfim o momento em que já estamos afeitos, em que o esperamos, em que pressentimos que nos faltaria se não viesse; a partir de então continua sem cessar a exercer sobre nós a sua pressão e o seu encanto e, entretanto, tornamo-nos os seus humildes adoradores, os seus fiéis encantados que não pedem mais nada ao mundo, senão ele, ainda ele, sempre ele.
Não sucede assim só com a música: foi da mesma maneira que aprendemos a amar tudo o que amamos. A nossa boa vontade, a nossa paciência, a nossa equanimidade, a nossa suavidade com as coisas que nos são novas acabam sempre por ser pagas, porque as coisas, pouco a pouco, se despojam para nós do seu véu e apresentam-se a nossos olhos como indizíveis belezas: é o agradecimento da nossa hospitalidade. Quem se ama a si próprio aprende a fazê-lo seguindo um caminho idêntico: existe apenas esse. O amor também deve ser aprendido.

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"

terça-feira, 7 de junho de 2011

Eternidades Efêmeras?

A verdade é que o mundo hoje é imediatista demais...Tudo é pra ontem, tudo é bem mais efêmero. Quem é adepto das eternidades de Shakespeare hoje em dia se dá mal, cai num choque doloroso de realidade e acaba se nutrindo de dor e trauma. É complicado...calma não existe mais e o tempo é só um detalhe.