Para merecer o amor das pessoas eu tenho que fazer mais do que eu faço, me doar mais do que me dôo, dar pirueta, andar de monociclo? Segundo Carl Rogers, da psicologia humanista, o motivo do sofrimento do ser humano é a variável de se sentir indigno do amor das outras pessoas. A verdade é que eu nunca me considerei digna do amor das outras pessoas. A inteligência espiritual direciona essa questão e eu sou muito grata por isso. Para alguns, esse é o "caminho do meio", entre duas polaridades.
Na verdade a gente tem que se julgar digno e ter ciência das próprias limitações, as próprias dificuldades. Elas existem e precisam ser respeitadas. Não esperem de mim uma lista com uma fórmula mágica. A afirmação perigosa está em "você sabe do que eu preciso e eu não sei do que eu preciso ". Isso é dilacerante, é como se eu tirasse das minhas mãos todo o poder sobre a minha própria vida e entregasse nas mãos de outra pessoa. Pode parecer óbvio, mas não é.
Muito embora o ideal não seja a bipolaridade, há de existir um lado bom de estar nos extremos, além da criatividade. Quando a gente sai de um extremo e vai para o extremo oposto, em algum momento a gente passa pelo equilíbrio, ou seja, o tal "caminho do meio". O pêndulo sempre passa pelo meio quando vai de um pólo para o outro.
Geralmente, estamos muito preocupados em buscar o equilíbrio do lado de fora, um equilíbrio pressuposto pelo mundo, que nos ensinou a sempre se basear em estereótipos e rótulos de como devemos nos comportar - cuidado, porque eles só colocam a gente num lugar de escassez.
Cuidado é pouco quando se quer alcançar o equilíbrio fora. As pessoas e a sociedade acabam lucrando com o nosso condicionamento forçado de buscar o que se encontra dentro, no lado de fora e por vezes, isso pode ser bastante cruel e autodestrutivo.
O planeta Terra nunca está em equilíbrio. Ele está sempre girando, mas sempre pressupõe o tal equilíbrio e assim acontece conosco, já que estamos todos aqui vivendo essa experiência através dos nossos corpos.
Colocar nas mãos de outra pessoa a capacidade e a possibilidade de mudar a nossa vida é muito nocivo, mas não se pode desistir. O equilíbrio é possível. A cura é possível, desde alma à visão de vida, à expansão, ao amar o outro como a si mesmo. Amar a si mesmo requer um infinito despertar. Podemos chegar mais longe se estamos cada um remando na mesma direção. Mais importante do que ter as respostas é fazer as perguntas certas. "A gente aprende mais procurando pela resposta e nunca a encontrando do que a encontrando e parando por ali." - Lloyd Alexander.
Dedique mais tempo não em alcançar esse equilíbrio, mas em se permitir, se abrir para o equilíbrio. Talvez ele não esteja encaixado no molde de "ideal" que a sua mente criou. Despertar esses olhos para dentro, assim todo mundo rema junto.
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