E mais um dia sem sair da minha insônia. Ô praga! Mas ainda me pergunto o que tem de errado com a minha cabeça...
Jantei com um amigo e depois fui encontrar um pessoal. Bem interessante. Digo, com esse amigo levei uma chacoalhada absurda. Eu senti e, doeu. Pareceu que a vida toda foi um tempo perdido, gasto só com inutilidades. Fiquei mal.
Posso constatar então que apenas existi durante esse tempo todo e que, na vida, se é que exista um objetivo, para que o faça é preciso viver e não existir. A impressão que dá é que só existi nesse tempo. Pelo jeito a bronca surtiu efeito; de agora em diante eu vou viver.
Ele diz que ainda tenho que descobrir o dom em mim , mas quer saber? Não precisa descobrir, nem nunca precisou e o mundo é que não sabe.O efeito começa a degenerar-se no instante em que um palco (na penumbra e vazio) surge nesse labirinto que é a minha cabecinha.
A grande tacada de mestre vai ser jogar para fora (com pontaria) tudo o que está guardado. Jogar mesmo, mas para que haja pontaria é preciso foco e, meu amigo, eis a questão! Foco em que? Palco. Ainda descubro os caminhos de fora, mas tenho certeza de que o que tá aqui dentro tem um teto e o de comer. A minha casa é o palco, tendo teto e alimento nada mais é necessário para sobreviver. Assim eu sobrevivo, se eu vivo é outra história.
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