domingo, 22 de abril de 2012

My (wannabe) Generation

Só quero dizer que passei por uma experiência que me fez enxergar que a nossa geração de "pseudo-intelectuais" é muito superdotada. Nós não passamos de meros mortais ignorantes. Infelizmente não temos essa capacidade infame de nos dedicar às tantas horas de busca incessante por artifícios que contribuam para um estereótipo, digamos que, utópico. Meus queridos, ler 100.000 livros e saber todos os autores e frases famosos decorados não quer dizer nada! Oh, mas que absurdo! Falar de Freud é tão bonito e tão inteligente, mas mal sabem que o meio esquecido Arthur Schnitzler também existiu. Deixe-me falar uma coisa: ler os livros mais conhecidos e saber falar bonito não quer dizer absolutamente nada sobre a sua inteligência, bem como ver os filmes mais idolatrados pela Superior Sociedade ( porque assim o são ) Cult. São meros capachos da classe verdadeiramente intelectual.

Não adianta querer ser inteligente ou querer ser sensível. Essas são particularidades natas de um ser humano, não existe adquiri-las. É sempre bom aceitar quem somos desde cedo, justamente para evitar utopias e constrangimentos com mortais como eu. Lá vai: em dado momento conheci um ser, estafermo, da Superior Sociedade Cult e me arrisquei a conversar. Resolvi entrar na onda e falei de quase todas as obras de Shakespeare, respondi quantos livros da Clarice tinha lido e quis sair correndo dali. Amigos, fazer comentários anacrônicos, ter o look "diferente" e se interessar em experiências quantitativas sobre uma pessoa só me leva a ter uma lúgubre interpretação. Mostrar quem sou é muito mais interessante do que de fato o ser e o curioso é que todos se dão incrivelmente bem entre si, mantendo aparências e ciosos com a cultura, formam um clã que se diz interessante.

Para mim, não passam de diálogos prosaicos, mentes desprovidas de ir mais a fundo para dentro de si, se confortando em aderir uma carcaça intelectual para se dizer "capaz". Sei lá de que, de ser, de existir. Parecem ter uma inveja encruada de quem pensa de verdade e vive, pois não tem necessidade de expor as obras que leu e se encantou, o que viu ou deixou de ver. Só digo uma coisa: eu li muito menos, vi muito menos filmes e sou bem mais crua do que vocês. No entanto, minha ignorância parece ser muito mais sensata e minha visão um tanto mais aguçada. É lamentável, mas essa é a minha geração - a geração dos estereótipos.

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