Já entreguei, mas me assusta. Sou um bicho perturbado preparado para não virar presa de ninguém. Sou defesa dia e noite. Tudo que te peço é que me ensine a te amar, porque já te amo, mas me ensina a amar a sua matéria. Sou feita da mesma coisa que você, mas meu corpo não sabe disso. Eu sou a pele que se esconde, me chama sussurrando, quem sabe me arrisco fora do escuro.
Gosto das palavras soltas, meu cérebro enrola e desenrola, sou uma cobaia de oscilações. Sou perecível e você também. Ambos amam a arte. Só quero me deixar livre para te amar. Tudo que preciso é me ver livre das amarras que criei. Estou presa na armadilha do trauma do passado e quero quebrar esse vidro que já está rachado. Apesar de eu não conseguir enxergar o que há do outro lado, sou certa de que a pele estilhaçará e o amor virá em forma de energia, pensamento, sentimento, ação, reação.
( Recados íntimos de uma madrugada de alucinações )
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