Atuar é uma relação entre objetivo e obstáculo.
O ator bom não é bom porque sabe fazer as marcações, mas porque ele mostra, durante aquelas marcações, a libido que existe naquilo...
O que seria do amarelo se todos gostassem do azul? Ah, existe azul água, azul turquesa, azul escuro, o lindíssimo bleue claire...
Nós estamos voltando na era em que o original está deixando de ter o mesmo valor que antes. Todo mundo pensa que repetir é falta de imaginação, que é ruim. No romantismo, na época de Shakespeare, isso também era assim. Essa originalidade não tinha a mesma concepção que conhecemos. Sabe-se que toda a obra de Shakespeare não foi inventada por ele, na verdade, aquelas obras são nada mais nada menos do que uma perspectiva dele sobre situações que já existiam. Romeu e Julieta já existia antes. Então originalidade é relativa. A sátira atual é quase um elemento-guia da reprodução das obras que já existem e com a internet, tudo vaza e ninguém é dono de ninguém. Essa bagunça hoje em dia é valorizada e o original tem menos peso. Vamos lá, quantas vezes Hamlet já foi aos teatros? E só por isso deixaram de reproduzir a peça? Nope! Hamlet ainda é objeto de estudo de muita gente e repetir é sempre inovador, acredite se quiser!
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